{"id":25,"date":"2008-05-25T19:11:00","date_gmt":"2008-05-25T19:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/filipesaraiva.info\/blog\/?p=25"},"modified":"2008-05-25T19:11:00","modified_gmt":"2008-05-25T19:11:00","slug":"o-bezerro-de-ouro-pierre-levy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/filipe.saraiva.tec.br\/blog\/?p=25","title":{"rendered":"O Bezerro de Ouro &#8211; Pierre L\u00e9vy"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Pierre L\u00e9vy \u00e9 um dos principais te\u00f3ricos na contemporaneidade sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais que surgem a partir da expans\u00e3o do ciberespa\u00e7o. Seus diversos livros versam sobre intelig\u00eancia coletiva, a rela\u00e7\u00e3o entre ciberespa\u00e7o e as cidades, a n\u00e3o totaliza\u00e7\u00e3o da rede, entre outros.<\/p>\n<p>Para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre cibercultura, recomendo os livros e textos dele. Afinal, ele \u00e9 um dos criadores do termo!<\/p>\n<p><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_iwbTQB1O1SI\/SDm9qyQ3obI\/AAAAAAAAAFc\/DOs0fXpg5pM\/s1600-h\/cbct.png\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;\" src=\"http:\/\/blog.filipesaraiva.info\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/cbct.png\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5204399387148001714\" border=\"0\" \/><\/a><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" >N\u00e3o muito longe da bas\u00edlica onde se encontram os monumentos funer\u00e1rios dos antigos reis da Fran\u00e7a, em Saint-Denis, ocorre a cada dois anos uma manifesta\u00e7\u00e3o consagrada \u00e0s artes digitais: Art\u00edfices.<\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" ><\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" >Em novembro de 1996, o principal artista convidado era Jeffrey Shaw, pioneiro das artes do virtual e diretor, na Alemanha, de um importante instituto destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o nas \u201cnovas m\u00eddias\u201d.<\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" ><\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" >Ao entrar na exposi\u00e7\u00e3o, a primeira coisa que voc\u00ea veria seria a instala\u00e7\u00e3o \u201cBezerro de Ouro\u201d. No meio da primeira sala, um pedestal claramente feito para receber uma est\u00e1tua n\u00e3o sustenta nada al\u00e9m do vazio. A est\u00e1tua est\u00e1 ausente. Um tela plana se encontra sobre uma mesa ao lado do pedestal. Ao peg\u00e1-la, voc\u00ea descobre que esta tela de cristal l\u00edquido comporta-se como uma \u201cjanela\u201d para a sala: ao direcion\u00e1-la para as paredes ou teto, voc\u00ea v\u00ea uma imagem digital das paredes ou do teto. Ao apont\u00e1-la para a porta de entrada, aparece um modelo digital na porta. E quando a tela \u00e9 virada na dire\u00e7\u00e3o do pedestal, voc\u00ea \u00e9 surpreendido por uma maravilhosa est\u00e1tua, brilhante, magnificamente esculpida, do bezerro de ouro, o qual s\u00f3 \u201cexiste\u201d virtualmente. Ao andar em volta do pedestal, mantendo a tela direcionada para o vazio acima dele, \u00e9 poss\u00edvel admirar todos os \u00e2ngulos do bezerro de ouro. Aproximando-se, ele aumenta; afastando-se, diminui. Se voc\u00ea levar a tela bem para cima do pedestal, entrar\u00e1 dentro do bezerro de ouro e descobrir\u00e1 seu segredo: o interior \u00e9 vazio. S\u00f3 existe enquanto apar\u00eancia, sobre a face externa, sem reverso, sem interioridade.<\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" ><\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" >Qual o prop\u00f3sito desta instala\u00e7\u00e3o? Em primeiro lugar, \u00e9 cr\u00edtica: o virtual \u00e9 o novo bezerro de ouro, o novo \u00eddolo de nossos tempos. Mas tamb\u00e9m \u00e9 cl\u00e1ssica, pois a obra nos traz a percep\u00e7\u00e3o concreta da natureza de todos os \u00eddolos: uma entidade que n\u00e3o est\u00e1 realmente presente, uma apar\u00eancia sem consist\u00eancia, sem interioridade. Aqui, o que se busca n\u00e3o \u00e9 tanto a aus\u00eancia de plenitude material, e sim o vazio de presen\u00e7a e de interioridade viva, subjetiva. O \u00eddolo n\u00e3o tem exist\u00eancia por si mesmo, somente a que lhe \u00e9 atribu\u00edda por seus adoradores. A rela\u00e7\u00e3o, uma vez que o bezerro de ouro s\u00f3 aparece gra\u00e7as \u00e0 atividade do visitante.<\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" ><\/span><br \/><span style=\"font-style: italic;font-size:85%;\" >Em um plano no qual os problemas est\u00e9ticos juntam-se \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es espirituais, a instala\u00e7\u00e3o de Jeffrey Shaw questiona a no\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o. Na verdade, o bezerro de ouro obviamente remete ao Segundo Mandamento, que pro\u00edbe n\u00e3o s\u00f3 a idolatria, mas tamb\u00e9m a fabrica\u00e7\u00e3o de imagens e est\u00e1tuas \u201cque tenham a forma daquilo que se encontra no c\u00e9u, na terra ou nas \u00e1guas\u201d. Podemos dizer que Jeffrey Shaw esculpiu uma imagem? Seu bezerro de ouro \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o? Mas n\u00e3o h\u00e1 nada sobre o pedestal! A vida e a interioridade sens\u00edvel daquilo que voa nos ares ou corre pelo solo n\u00e3o foram captadas por uma forma morta. N\u00e3o \u00e9 um bezerro, exaltado por uma mat\u00e9ria tida como preciosa, que a instala\u00e7\u00e3o coloca em cena, mas sim o pr\u00f3prio processo da representa\u00e7\u00e3o. No lugar onde, em sentido estrito, h\u00e1 apenas o nada, a atividade mental e sens\u00f3rio-motora do visitante faz surgir uma imagem que, quando suficientemente explorada, acaba por revelar sua nulidade.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:85%;\"><\/span><span style=\"font-size:85%;\"><\/span><span style=\"font-size:85%;\">L\u00c9VY, Pierre &#8211; <span style=\"font-weight: bold;\">Cibercultura<\/span>, S\u00e3o Paulo. Editora 34.<br \/><\/span><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><script expr:src='\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/~s\/LiberdadeNaFronteira?i=\" + data:post.url' type=\"text\/javascript\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pierre L\u00e9vy \u00e9 um dos principais te\u00f3ricos na contemporaneidade sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais que surgem a partir da expans\u00e3o do ciberespa\u00e7o. Seus diversos livros versam sobre intelig\u00eancia coletiva, a rela\u00e7\u00e3o entre ciberespa\u00e7o e as cidades, a n\u00e3o totaliza\u00e7\u00e3o da rede, entre outros. 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