{"id":73,"date":"2008-12-25T04:40:00","date_gmt":"2008-12-25T04:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/filipesaraiva.info\/blog\/?p=73"},"modified":"2008-12-25T04:40:00","modified_gmt":"2008-12-25T04:40:00","slug":"texto-no-le-monde-cultura-livre-movimentos-e-humanizacao-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/filipe.saraiva.tec.br\/blog\/?p=73","title":{"rendered":"Texto no Le Monde: Cultura livre, movimentos e humaniza\u00e7\u00e3o do Capital"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Ol\u00e1 camaradas e comparsas,<\/p>\n<p>Irei dar a dica de um texto muito bom do <a href=\"http:\/\/diplo.uol.com.br\/_Aaron-Shaw_\">Aaron Shaw<\/a>, que se encontra no <a href=\"http:\/\/diplo.uol.com.br\/\"><span style=\"font-style: italic;\">Le Monde Diplomatique<\/span><\/a>. Trata-se do <span style=\"font-weight: bold;\">Cultura livre, movimentos e humaniza\u00e7\u00e3o do Capital<\/span>. Segue, na \u00edntegra:<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\">Cultura livre, movimentos e humaniza\u00e7\u00e3o do Capital<\/span><\/p>\n<div class=\"olho\">O conhecimento livre em si \u00e9 apenas uma possibilidade. N\u00e3o basta que trabalhemos na amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento livre como tal. \u00c9 necess\u00e1rio que pensemos de modo estrat\u00e9gico, que produzamos conhecimentos livres n\u00e3o apenas em si mesmos, mas para si mesmos.<\/div>\n<p class=\"spip\">Como refletir sobre a Tecnologia do Conhecimento e a Produ\u00e7\u00e3o Colaborativa pelo ponto de vista do conhecimento livre, aberto, n\u00e3o propriet\u00e1rio?<\/p>\n<p class=\"spip\">Talvez um bom in\u00edcio seja pensar tal quest\u00e3o pelo vi\u00e9s do conhecimento n\u00e3o propriet\u00e1rio como contradit\u00f3rio ao mercado. De conhecimento que, livre, est\u00e1 sujeito a grandes abusos (levados ou n\u00e3o a cabo) pelo capital e pelo mercado.<\/p>\n<p class=\"spip\">Nos anos 40 do s\u00e9culo 20, o soci\u00f3logo estadunidense Karl Polanyi escreveu sobre o Liberalismo e os abusos do mercado. Sua hip\u00f3tese era de que, para se humanizar, o mercado livre, ou seja, neoliberal, tem de criar uma &#8220;economia submersa (<i class=\"spip\">embedded<\/i>, no original)&#8221; na sociedade e na cultura. Quer dizer, uma economia que responda \u00e0s necessidades sociais, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social. Em seus termos, Polanyi fala de mercadorias fict\u00edcias: terra, trabalho e dinheiro.<\/p>\n<p class=\"spip\">Na sociologia estadunidense de hoje, fala-se muito sobre o conhecimento ter se tornado, ele tamb\u00e9m, uma mercadoria fict\u00edcia. O que nos leva \u00e0 seguinte quest\u00e3o: o conhecimento \u00e9 mesmo uma mercadoria fict\u00edcia, nos termos das teorias neo-polanyianas?<\/p>\n<p class=\"spip\">Se sim, os recentes cercamentos sofridos pela propriedade intelectual seriam a mais nova frente de batalha no esfor\u00e7o para que a sociedade viabilize essa &#8220;economia enraizada&#8221;. E, como tal, os conhecimentos livres (o software livre e a cultura livre, por exemplo) seriam ferramentas-chave para a prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p class=\"spip\">At\u00e9 a\u00ed, o sentido \u00e9 cristalino. Acontece que, se pensarmos no assunto de modo mais aprofundado, as teorias neo-polanyianas parecem ter chegado a um momento no qual n\u00e3o mais conseguem explicar a realidade. Isso porque, hoje, vemos grandes corpora\u00e7\u00f5es, tanto nacionais como multinacionais, com produtos locais e globais, se apropriando desse conhecimento livre e percebendo que esses processos abertos, livres, acess\u00edveis, podem funcionar como novos p\u00f3los, novas fontes de lucros.<\/p>\n<p class=\"spip\">Enfim, as implica\u00e7\u00f5es sociais da ado\u00e7\u00e3o, da incorpora\u00e7\u00e3o do conhecimento livre pelas grandes for\u00e7as do capital, levam o conhecimento livre (que, em si mesmo, n\u00e3o \u00e9 nem precisa ser anticapitalista) a tornar-se ferramenta capitalista.<\/p>\n<p class=\"spip\">Vejamos o caso do Brasil. O governo Lula, em 2003, fez, numa interface com o mercado de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o, grandes ado\u00e7\u00f5es e migra\u00e7\u00f5es para o software livre nos Minist\u00e9rios brasileiros. Migrar um Minist\u00e9rio \u00e9 um neg\u00f3cio enorme, voc\u00ea tem 5.000 m\u00e1quinas, um sem n\u00famero servidores, workstations, desktops, escrit\u00f3rios. E, se voc\u00ea quer fazer uma migra\u00e7\u00e3o dessa magnitude, tem que contratar algu\u00e9m para te ajudar.<\/p>\n<p class=\"spip\">E quem \u00e9 que voc\u00ea vai contratar pra fazer essa migra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"spip\">Voc\u00ea vai chamar a IBM, a Sun, as grandes consultorias multinacionais de mercado. E, a princ\u00edpio, o resultado \u00e9 bom. A IBM Brasil, por exemplo, dobrou seu n\u00famero de empregados entre os anos de 2004 e 2006. Isso \u00e9 impressionante, trata-se de uma empresa que aumentou seu n\u00famero de trabalhadores brasileiros num momento de reformula\u00e7\u00e3o do mercado global. E isso significa, talvez, uma possibilidade de distribuir riqueza de uma maneira menos desigual.<\/p>\n<p class=\"spip\">O que acontece em seguida, por\u00e9m, \u00e9 que, ao assinar contratos com o governo, a IBM tamb\u00e9m aumenta seus lucros. E esses ganhos, embora vinculados ao conhecimento livre, n\u00e3o s\u00e3o uma forma de prote\u00e7\u00e3o social. Porque o enriquecimento das grandes corpora\u00e7\u00f5es, como defende Polanyi, n\u00e3o necessariamente atende \u00e0s necessidades da sociedade.<\/p>\n<p class=\"spip\">Enfim, esse \u00e9 um mecanismo simples, sem grandes segredos. Mas sua implica\u00e7\u00e3o para a teoria do conhecimento livre, para a estrat\u00e9gia das pessoas que ap\u00f3iam o conhecimento livre, \u00e9 importante. Isso significa que n\u00e3o basta que trabalhemos na amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento livre como tal. \u00c9 necess\u00e1rio que pensemos de modo estrat\u00e9gico, que produzamos conhecimentos livres n\u00e3o apenas em si mesmos, mas para si mesmos. Um mote que, na verdade, pertence a Marx.<\/p>\n<p class=\"spip\">O conhecimento livre em si \u00e9 apenas uma possibilidade. Mas a partir do momento que os conhecimentos livres compartilham de situa\u00e7\u00e3o similar, e que as pessoas se beneficiam desses conhecimentos, o conhecimento livre passar ser livre para si mesmo. Torna-se, ent\u00e3o, mais clara a exist\u00eancia de interesses pol\u00edticos, bem como sua necessidade de vincula\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es institucionais e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o social, do &#8220;mercado enraizado&#8221;.<\/p>\n<p class=\"spip\">Nos Estados Unidos, por exemplo, fala-se muito, hoje, da quest\u00e3o da Neutralidade da Rede. E vemos que, nesse campo, os ativistas est\u00e3o se aliando \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es que ap\u00f3iam o conhecimento livre (como Google, Sun e IBM) para fazer avan\u00e7ar a possibilidade de manter a Internet livre de monitoramentos excessivos e bloqueios.<\/p>\n<p class=\"spip\">Essa alian\u00e7a \u00e9 um novo passo para os movimentos do conhecimento livre, um passo important\u00edssimo, tamb\u00e9m, no Brasil. Hoje, assistimos ao debate sobre o Projeto Azeredo. N\u00e3o temos a certeza de que os movimentos livres tenham, eles mesmos, a for\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f4mica para vencerem o debate. Pode ser que, no caso do Projeto do Azeredo, obtenham alguma vit\u00f3ria \u2014 mas n\u00e3o podemos garantir como se sair\u00e3o em projetos futuros.<\/p>\n<p class=\"spip\">O sucesso do conhecimento livre vai depender da capacidade dos movimentos livres de se aliarem com as for\u00e7as do grande capital. O que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque as for\u00e7as do grande capital podem se apropriar da capacidade dos movimentos livres. Enfim, vivemos um momento de construir, de ampliar o movimento pelos conhecimentos livres,de aumentar as possibilidades do Conhecimento. Mas, para que isso aconte\u00e7a, ser\u00e1 necess\u00e1rio, antes, que ampliemos os limites do movimento como tal.<\/p>\n<p class=\"spip\"><a href=\"http:\/\/diplo.uol.com.br\/2008-12,a2690\">Fonte<\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><script expr:src='\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/~s\/LiberdadeNaFronteira?i=\" + data:post.url' type=\"text\/javascript\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol\u00e1 camaradas e comparsas, Irei dar a dica de um texto muito bom do Aaron Shaw, que se encontra no Le Monde Diplomatique. Trata-se do Cultura livre, movimentos e humaniza\u00e7\u00e3o do Capital. 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