{"id":75,"date":"2009-01-03T01:51:00","date_gmt":"2009-01-03T01:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/filipesaraiva.info\/blog\/?p=75"},"modified":"2009-01-03T01:51:00","modified_gmt":"2009-01-03T01:51:00","slug":"a-conservadora-arte-de-vanguarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/filipe.saraiva.tec.br\/blog\/?p=75","title":{"rendered":"A Conservadora Arte de Vanguarda"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Na verdade, o t\u00edtulo \u00e9 um tanto injusto. N\u00e3o queria dizer que a Arte \u00e9 por si, conservadora, mas os  muitos artistas que se colocam como membros de vanguarda da arte, estes, o s\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 faz bastante tempo que o pessoal entrou no sal\u00e3o vazio da Bienal de S\u00e3o Paulo, 2008, e fez uma das interven\u00e7\u00f5es mais lindas e radicais que essa imprensa arte-especializada, acostumada com o glamour das grandes galerias, j\u00e1 noticiou. Mas, sempre cabe recordar um pouco. Do <a href=\"http:\/\/www.midiaindependente.org\/\">CMI<\/a>:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">&#8220;A a\u00e7\u00e3o ocorreu no dia 26 de outubro, envolveu aproximadamente 40 pichadores e pode ser considerada uma resposta \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es da curadoria desta Bienal, intitulada &#8220;Em vivo contato&#8221;<\/span><span>; nela<\/span><span style=\"font-style: italic;\"> &#8220;a manifestante<\/span> <span style=\"font-style: italic;\">Caroline Pivetta da Mota<\/span> <span style=\"font-style: italic;\">foi presa e passou quase dois meses em regime fechado, sendo liberada no dia 19 de dezembro para cumprir a pena em liberdade <\/span>&#8220;.<\/p>\n<p>Alguns videos documentando o fato:<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jioVKZIyXig&amp;hl=pt-br&amp;fs=1\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/object><\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/72Enm63yLCk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/object><\/p>\n<p>\u00c9 interessante como a arte, hoje, perdeu a for\u00e7a e a energia de surpreender, de criticar, de fazer refletir, de subverter, tanto as concep\u00e7\u00f5es, a sociedade e ela. Claro, essa nunca foi a postura dominante nos c\u00edrculos art\u00edsticos ao passar da hist\u00f3ria, mas eles sempre existiram e foram importantes para a discuss\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em v\u00e1rias \u00e9pocas. Que o digam, apenas para ficar em dois exemplos, os <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Internacional_situacionista\">situacionistas<\/a> e os <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tropicalismo\">tropicalistas<\/a>.<\/p>\n<p>O que vemos hoje nas faculdades de arte? O que vemos em v\u00e1rios coletivos, pretensa vanguarda intelectual-pol\u00edtica? Por acaso, \u00e9 comum uma contesta\u00e7\u00e3o da arte <span style=\"font-style: italic;\">in locco, <\/span>utilizando de seus pr\u00f3prios meios para tal? E seria mais comum ainda o uso da arte enquanto forma de protesto, constru\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ou algo nesse sentido?<\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que, apesar da postura conservadora da maioria dos atuais grupos art\u00edsticos, seu discurso \u00e9 recheado de men\u00e7\u00f5es a contraven\u00e7\u00e3o\/subvers\u00e3o. Discurso vazio, como ali\u00e1s vemos em muitos grupos dito &#8220;de esquerda&#8221; por a\u00ed. Para ilustrar melhor o caso da picha\u00e7\u00e3o na Bienal, vemos o texto de abertura do guia da exposi\u00e7\u00e3o, os <a href=\"http:\/\/www.midiaindependente.org\/pt\/blue\/2008\/12\/435499.shtml\">curadores afirmaram<\/a>:<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">&#8220;A transforma\u00e7\u00e3o do andar t\u00e9rreo do Pavilh\u00e3o Cicillo Matarazzo numa pra\u00e7a p\u00fablica, como no desenho original de Oscar Niemeyer para o parque em 1953, sugere uma nova rela\u00e7\u00e3o da Bienal com seu entorno &#8211; o parque, a cidade -, que se abre como a \u00e1gora na tradi\u00e7\u00e3o da polis grega, um espa\u00e7o para encontros, confrontos, fric\u00e7\u00f5es. (&#8230;) Ao contr\u00e1rio das bienais anteriores, que transformaram o interior do pavilh\u00e3o modernista em salas de exposi\u00e7\u00e3o, desta vez o segundo andar est\u00e1 completamente aberto. \u00c9 nesse territ\u00f3rio do suposto vazio que a intui\u00e7\u00e3o e a raz\u00e3o encontram solo prop\u00edcio para fazer emergir as pot\u00eancias da imagina\u00e7\u00e3o e da inven\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o espa\u00e7o em que tudo est\u00e1 em um devir pleno e ativo, criando demanda e condi\u00e7\u00f5es para a busca de outros sentidos, de novos conte\u00fados&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Porque as palavras foram jogadas fora, exatamente quando na interven\u00e7\u00e3o os artistas buscavam <span style=\"font-style: italic;\">outros sentidos, de novos conte\u00fados<\/span>? E perceba, como o jogo lingu\u00edstico do guia passa uma id\u00e9ia de abertura para v\u00e1rias linguagens, subvers\u00e3o da arquitetura da Bienal, local de express\u00e3o para todos&#8230; esta \u00e9 a fal\u00e1cia que ouvimos de artistas contraventores por a\u00ed, que no momento de se construir algo s\u00e9rio, impactante, que provoque a discuss\u00e3o &#8211; como no caso dos camaradas da pichadores, que em seu ato questionaram o pr\u00f3prio conceito de arte estabelecido &#8211; titubeam e mostram sua verdadeira postura, estritamente conservadora e de est\u00e9tica reducionista.<\/p>\n<p>Estes artistas, que encontramos aos montes em v\u00e1rios lugares, devem temer aquela frase situacionista:<\/p>\n<p>&#8220;QUANDO AS ID\u00c9IAS VOLTAM A SER PERIGOSAS!!!&#8221;<\/p>\n<p>Ou a esqueceram. Desconfie dos artistas.<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">&#8220;Escute, meu chapa: um poeta n\u00e3o se faz com versos. \u00c9 o risco, \u00e9 estar sempre a perigo sem medo, \u00e9 inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, \u00e9 destruir a linguagem e explodir com ela (&#8230;). Quem n\u00e3o se arrisca n\u00e3o pode berrar.&#8221;<\/span> &#8211; <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Torquato_Neto\">Torquato Neto<\/a><\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><script expr:src='\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/~s\/LiberdadeNaFronteira?i=\" + data:post.url' type=\"text\/javascript\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na verdade, o t\u00edtulo \u00e9 um tanto injusto. N\u00e3o queria dizer que a Arte \u00e9 por si, conservadora, mas os muitos artistas que se colocam como membros de vanguarda da arte, estes, o s\u00e3o. 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