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10 anos da tese – IA e Smart Grids

Me dei conta que, em novembro último, completei 10 anos da defesa da minha tese. Na época anunciei a defesa mas não havia até agora divulgado o documento final.

O título do trabalho era “Aplicações híbridas entre sistemas multiagentes e técnicas de inteligência artificial para redes inteligentes de distribuição de energia elétrica“. Título longo mas que explica bem o que se encontra naquelas páginas – foram várias técnicas de inteligência artificial (redes neurais, lógica fuzzy) e teoria dos jogos hibridizadas a sistemas multiagentes, aplicadas a diferentes problemas de sistemas de distribuição (classificação de cargas não lineares, utilização de bancos de capacitores e redução das perdas técnicas via reconfiguração topológica) no contexto de redes elétricas inteligentes, os chamados smart grids.

Olhando em retrospecto, tenho bons sentimentos daquele momento. Ele simbolizou a realização de um sonho e uma espécie de autorização para que eu prosseguisse para o próximo passo – ingressar na carreira acadêmica.

Por outro lado, digamos que os “frutos diretos” do trabalho não atingiram o potencial que eu gostaria, por diferentes razões.

Por exemplo, o fato de eu ter me tornado professor na UFPA pouco mais de 6 meses após a defesa fez com que eu não tivesse aquela dedicação para finalizar ou desenvolver trabalhos futuros da tese, visto que a prioridade passou a ser a montagem de aulas, a orientação a alunos e outras tarefas que a docência demanda. Muitos recém doutores que demoram a ingressar na docência acabam fazendo um pós-doc ou, de outra forma, tendo a necessidade de “criar um currículo” robusto, o que demanda aumento da quantidade de publicações para futuros concursos – o que não foi o meu caso.

Outro ponto que identifico tem a ver com dificuldade do tema, ou a falta de interesse sobre ele, para muitos alunos. Tentei com os meus primeiros orientandos direcionar para smart grids, mas poucos vingaram. Imagino que um dos motivos seja pelos alunos serem do curso de Computação, onde os temas dos sistemas elétricos não são estudados – o que acaba por adicionar um overhead de aprendizado que os alunos precisam superar, o que não é fácil pois o assunto em si não é simples.

Um outro problema, que deriva do motivo anterior, foi eu ter aberto demais o leque de temas que oriento pensando em atender as demandas dos orientandos. Encaro hoje que isso me prejudicou, pois acabei ficando sem uma identidade de pesquisa… mais sobre isso em um texto futuro.

Acho que também entra na conta o fato de ter me tornado professor em uma universidade em que não conhecia ninguém. Isso me distanciou dos grupos de pesquisa no tema já estabelecidos, que em geral são muito endogâmicos – as pessoas trabalham com seus orientandos ou ex-orientandos, ou com alguém que tem alguma ligação mais próxima por outros contextos que não apenas o do trabalho.

Parece que estou listando uma série de desculpas por não ter avançado com a pesquisa, mas não se trata disso. São apenas reflexões, (re)avaliações de trajetórias de alguém que completou 10 anos de doutorado e que agora em 2026 também irá completar 10 anos de docência e 40 anos de idade.

1 comentário em “10 anos da tese – IA e Smart Grids”

  1. Em 10 anos a IA passou por uma revolução muito grande, bem como a geração distribuída passou por uma expansão muito grande. Seria interessante uma fotografia do cenário atual dessa intersecção.

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